segunda-feira, 17 de março de 2008

(Sob efeito Vanguart)

Hoje é segunda-feira, não há mistérios nem tesouros debaixo do tapete, o sol tange sua flama sobre o asfalto em pleno coração de março, atingindo também os telhados, as frutas da quitanda, cabeças em pleno vôo na manhã cintilante. Permaneço lúcido enquanto as pessoas cruzam indiferentes ao que penso, vejo, escuto. Aqui dentro a música perpetua seu vôo incansável. Um trem perdido no tempo apita seu som abafado pela maquinaria da cidade. Posso escutá-lo enquanto o semáforo permanece fechado. Não sei no que acredito. Quero acreditar nas flores, acreditar no bosque, acreditar no poço, onde uma esquecida moeda sonha em virar milagre. Desejo realizado. Roer unhas, coisas do passado. O que importa é inaugurar quintais, onde a clorofila habita. Rachar as velas da manhã, no adeus em que os pássaros se fazem indiferentes enquanto voas. O que penso, vejo, acho, não importa. Quero abrir os olhos.