domingo, 11 de dezembro de 2011

Desaprendiz

Desaprendi a noite e suas estrelas
E os gatos cujo verde não vejo
O silêncio das grades do meu quarto
Os telhados sem música de violino


As tardes em que não te vejo
Os desejos que já não tenho
Desaprendi o chumbo das horas
E a solidão dos meus segredos


Desaprendi sobre o sono tragado das plantas
E as flores que esqueci de regar
Desaprendi a voar a escuridão das cidades
Sobrevoar o sonho e o som só


Desaprendi a perguntar ao pó
E a transitar pelo caminho das calçadas
Desconheço meu primeiro amor
E a fotografia noturna do seu corpo nu


Desaprendi o meu nome
E todas as partes do meu corpo
A ferrugem dos meus sapatos
O dia em que nasci


Desaprendi do perfume dos cabelos
Dos sonhos que neles escondi e reguei
Desaprendi das auroras e onde as enterrei
Desaprendi o que fui o que sou e o que sei.